Náutica catarinense é referência no mercado náutico mundial

Alavancadas pelo ambiente econômico favorável, as vendas de embarcações no Brasil atingiram patamares inéditos durante os anos de 2009 e 2010, quando novos usuários ingressaram no mercado e os consumidores “antigos” investiram em upgrades, adquirindo modelos novos, ou usados de maior porte e sofisticação.

Esse cenário chamou a atenção de um grande número de empreendedores nacionais e marcas internacionais, que passaram a ver o Brasil como um mercado de alto potencial, reconhecendo sua vocação náutica natural decorrente dos seus mais de 24.000 quilômetros de águas navegáveis, além do clima favorável com temperatura média anual de 24°.

De acordo com a pesquisa Indústria Náutica Brasileira – Fatos & Números realizada em 2012 pela ACOBAR (Associação Brasileira dos Construtores de Barcos de seus Implementos) e pelo SEBRAE do Estado do Rio de Janeiro, existem 151 estaleiros em atividade no país. A frota brasileira de embarcações de esporte e recreio acima de 16 pés compreende um conjunto de aproximadamente 70.000 embarcações, entre lanchas e veleiros. A exemplo do que foi registrado na edição da pesquisa de 2005, predominam no mercado brasileiro as embarcações a motor, com quase 84% do total da frota.

Desde 2012, quando essa pesquisa foi realizada, o mercado náutico brasileiro passou por grandes mudanças. O movimento de otimismo e expansão estacionou, refletindo a crise na economia nacional e a instabilidade política do momento. Além disso, a alta do dólar, em um mercado onde a importação de equipamentos e insumos é uma atividade comum, afetou o custo de produção e o preço final das embarcações.

Mesmo com esse cenário desfavorável, o mercado náutico catarinense manteve-se firme e fiel em seu propósito. Enquanto alguns estaleiros começaram a investir na exportação, outros investiram na nacionalização e reestruturação de seus processos, com foco em sanear gastos e se manter competitivo. As estratégias comerciais e de comunicação também tiveram que ser revistas e o mercado como um todo teve que se reinventar, o que impactou em toda a cadeia produtiva.

Esse ajuste de rota, aliado à manutenção das políticas governamentais de incentivo para o setor, garantiram à Santa Catarina em 2016 o título de principal pólo náutico do Brasil. Dados do Sebrae/SC, mostram que Estado reúne hoje 48 empresas responsáveis pela construção de embarcações de esporte e lazer,  sendo responsável por 32% dos empregos gerados do setor.

“A contribuição catarinense para o mercado náutico é de extrema importância, o Estado possui boa infraestrutura de serviços e excelentes estaleiros produzindo embarcações com alta qualidade e tecnologia de ponta, onde formou-se um polo, inclusive, com fabricantes de partes e peças na cadeia de fornecimento,  gerando consistentes empregos e divisas para o estado e contribuindo assim fortemente para o setor. Acredito que uma boa política pública pode viabilizar um maior número de Estruturas de Apoio Náutico(marinas) fortalecendo ainda mais o estado de SC, não só como pólo produtor mas também, como destino de navegação e trazendo também um maior número de usuários locais, afinal cada barco gera 8 empregos, sendo 5 diretos e três indiretos”, relata Eduardo Colunna – Presidente da ACOBAR.

Um exemplo desta contribuição vem do estaleiro catarinense Intech Boating. Sediado na cidade de Palhoça, o estaleiro foi criado em 2007 tendo como foco inicial o desenvolvimento e fabricação de embarcações de serviços de alto desempenho. Em 2010 seus resultados positivos chamaram a atenção da conceituada marca italiana Sessa Marine e no final daquele mesmo ano foi assinada a parceria para a implantação da linha de embarcações de lazer da Sessa Marine no Brasil.

“A vinda dos estaleiros internacionais para Santa Catarina não foi uma surpresa, vínhamos trabalhando forte e focados em nos desenvolver e aprimorar o mercado, foi natural a atração de investimentos. O fato do estado ter se tornado referência foi consequência do bom trabalho desenvolvido pelos estaleiros locais, fornecedores e por toda cadeia náutica catarinense” é o que nos conta José A. Galizio Neto fundador e Presidente da Intech Boating.

Atualmente, compõem o portfólio de produção da Intech Boating os modelos da linha Key Largo, KL27 e KL28 Sole e os modelos Sessa C36, C40, C42 e Fly42 e o modelo C44 que está em fase de implantação na linha.

 “Com um perfil de clientes extremamente exigente, as embarcações da Sessa Marine produzidas no Brasil mantém o mesmo alto padrão de construção, tecnologia e acabamento das embarcações Italianas. Desenvolvemos nosso mercado de forma que hoje podemos competir de igual para igual com embarcações feitas em outros países”, finaliza Neto.

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